Elas têm a força: 24 milhões de mulheres empreendem no Brasil

Pesquisando sobre empreendedorismo, quis saber mais sobre a mulher empreendedora no Brasil e cheguei a alguns estudos interessantes que traçam o seu perfil. Para começar, vale entender qual é o contigente de mulheres sobre as quais estamos falando. Segundo o estudo Global Monitor de 2017, o número de brasileiras empreendedoras atingiu a impressionante marca de 24 milhões, número um pouco inferior ao dos homens, que somam 25 milhões.

Elas são, segundo o levantamento, mais escolarizadas que os homens, atuam
principalmente no setor de serviços e têm aumentado sua representatividade onde atuam ao inovar nas formas de trabalho.

O estudo também mostra que a mulher empreendedora não cresce sozinha: ela investe na educação de seus familiares, possibilitando assim que mais pessoas se desenvolvam e contribuindo, consequentemente, para o desenvolvimento do país.

Pesquisando um pouco mais, cheguei ao estudo “Quem são elas?”, organizado em 2016 pela Rede Mulher Empreendedora (REM), considerada a primeira plataforma de apoio ao empreendedorismo no país. E aí praticamente vi meu autorretrato!

Segundo o “Quem são elas?”, a mulher empreendedora brasileira tem em média 39 anos, um filho, casada, ensino superior completo e vivência no mundo corporativo. Elas também atuam mais no setor de serviços (59%) e 85% decidiram empreender após se tornarem mães.

O fato de optarem por empreender após se tornarem mães obviamente está conectado à experiência corporativa: as mulheres querem (e muitas vezes precisam porque não têm rede de apoio) dedicar mais tempo aos filhos e sabemos que o universo corporativo ainda acredita em “mulher maravilha”, ou seja, que é possível trabalhar mais de 10 horas por dia e acompanhar a rotina dos filhos, da casa, se cuidar, etc. Ou seja, elas demandam flexibilização de horários. Acesse a pesquisa completa:

Mesmo desemprenhando o papel de mulher maravilha ou, como costumo brincar, mulher polvo, elas ainda costumam fazer o negócio render mais que os homens, de acordo com estudo realizado pelo The Boston Consulting Group. A pesquisa mostra que startups fundadas por mulheres faturam mais que as fundadas por homens: a cada dólar investido em startups, as mulheres geraram 78 centavos, enquanto os homens, 31 centavos.

Gerar mais dinheiro não é sinônimo de confiança financeira, porém. Segundo outro estudo, o Itaú Mulher Empreendedora, que se aprofundou no comportamento financeiro feminino, as mulheres conquistaram mais espaço, aumentaram a renda, muitas vezes ganham mais que seus companheiros, mas ainda não têm autoestima financeira: precisam aumentar sua confiança para gerir melhor suas finanças e tomar as melhores decisões.

Ao que tudo indica, isto pode ser explicado pelo contexto histórico: a mulher era restrita aos ambientes privados e o homem ocupava ambientes públicos. Com isso, as mulheres não foram estimuladas a ocupar o território das finanças. Como destaca a pesquisa, vale lembrar que há apenas 55 anos (parece muito, mas na verdade é pouquíssimo tempo ao pensamos na extensão da História) não tinham CPF e não podiam nem ter conta em banco. homem era o único a controlar as finanças!

Nós, mulheres, temos muito ainda que caminhar e desenvolver no território do empreendedorismo. Os números nos mostram que estamos no caminho certo. Obstáculos? Muitos, principalmente os “internos” (tema para outro artigo). Mas a mulher empreendedora só sabe de uma coisa: desistir não é, nunca foi e nunca será uma opção!

Fontes de consulta para o artigo:

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